26 de maio de 2026

EDUCAÇÃO EM PAUTA NA 15ª MOSTRA ECOFALANTE DE CINEMA 2025

Educação é um dos eixos da 15ª edição da Mostra Ecofalante de Cinema, que acontece de 28 de maio a 10 de junho na cidade de São Paulo, ocupando o Reserva Cultural, Centro Cultural São Paulo e mais 28 espaços culturais do Circuito Spcine, sempre com entrada gratuita.   

Considerado o mais importante evento audiovisual da América do Sul focado em questões socioambientais, o festival exibe 21 produções relacionadas a instituições de ensino, educadores, alunos e outras questões educacionais.  

Obra eleita como o melhor documentário no Festival de Gramado e inédita em São Paulo, “Lendo o Mundo” recupera a experiência do projeto de alfabetização de adultos desenvolvido pelo educador brasileiro Paulo Freire (1921-1997). O filme, uma coprodução Brasil/EUA também premiada no importante Festival de Havana, reconstrói a atmosfera das aulas, combinando entrevistas atuais com antigos participantes e um riquíssimo acervo de imagens de arquivo. Reconhecido mundialmente como um dos mais importantes pensadores da educação, Freire criou uma pedagogia crítica e libertadora, que transforma a educação em ferramenta de conscientização e transformação social, rompendo com o modelo tradicional de ensino. Sua metodologia inovadora seria sumariamente interrompida logo após o golpe militar de 1964, quando Freire foi preso e partiu para o exílio, voltando ao país somente em 1980. 

A premiada cineasta francesa Claire Simon traz ao evento dois de seus mais recentes longas-metragens. Em “Escrevendo a Vida – Annie Ernaux pelos Olhos dos Estudantes”, a realizadora aborda os diferentes olhares marcados por um forte viés de gênero de jovens estudantes sobre a obra de Annie Ernaux, autora vencedora do Prêmio Nobel de Literatura. Figura central do feminismo contemporâneo, Ernaux personifica a emancipação individual e coletiva, entre o íntimo e o universal. O filme indaga o que os jovens veem nas obras dessa autora. O longa, uma produção francesa que esteve selecionada para o Festival de Veneza, acompanha discussões em sala de aula sobre feminismo, contexto social e suas próprias vidas. “A ideia era contar essa história sem Annie Ernaux, usando apenas seus livros”, explicou Simon à Variety. 

Já em “Aprender”, obra inédita no Brasil, a cineasta Claire Simon leva-nos para uma escola primária pública nos arredores de Paris. Exibido no Festival de Cannes, o filme revela o profundo impacto da dedicação dos professores aos seus alunos e testemunha seus triunfos e desafios diários enquanto inspiram mentes jovens com devoção inabalável.  

Exibido em pré-estreia mundial no Festival de Berlim e vencedor do prêmio técnico-artístico no Festival de Guadalajara, “A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai, retrata meninas no sertão do Piauí (Guaribas) equilibrando a vida difícil de suas mães com sonhos de futuro, focando na transição para a adolescência. Com tom lúdico e doce, o filme aborda questões sociais, de gênero e a pobreza, celebrando a infância através da imaginação.  

Educação também está presente nos curtas-metragens produzidos em seis diferentes estados brasileiros. A produção do Tocantins, “Da Aldeia à Universidade”, de Leandro de Alcântara e Túlio de Melo, explora o choque cultural, os conflitos e a resistência de estudantes indígenas que deixam o ambiente da aldeia para enfrentar o espaço acadêmico, muitas vezes vulnerável. O curta-metragem sergipano “Mestrinhos”, de Lwidge de Oliveira, traz para centralidade Mestres da Cultura sergipana, celebrados por meio de iniciativas como o Encontro de Mestres e Amigos, promovendo o seu reconhecimento. “Nioladi: Como Resiste a Língua Kadiwéu?”, de Ana Beatriz Leal, é realização do Mato Grosso do Sul que investiga os processos de resistência, ensino e transmissão da língua Kadiwéu na Reserva Indígena Kadiwéu, no Mato Grosso do Sul. “Saber Brincar”, da cearense Leticia Diniz, celebra o encanto de ser criança no coração da região do Cariri, no sul do Ceará, mergulhando nas cores, nos ritos e nas tradições. Já “Ser Cria”, de Marco Aurélio Correa, estudante da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, focaliza alunos de uma escola municipal de Manguinhos, no Rio de Janeiro que “soltam o verbo, largam o riso e metem dancinha” para contar o que faz uma criança ser alguém nascido, criado e com vivência profunda em uma favela ou periferia. O filme maranhense, “Um Pé de Caju”, de Pablo Monteiro e Cadu Marques, retrata a importância da educação em uma comunidade quilombola do município de maranhense de Alcântara para a garantia da preservação de seus valores históricos. 

Uma programação especial do festival é dedicada ao Programa Ecofalante Educação, promovido pela mesma organização social responsável pela Mostra Ecofalante de Cinema. A iniciativa promove de forma permanente a integração entre cinema, educação e cidadania, levando o audiovisual a escolas e universidades de todo o Brasil por meio de um catálogo de filmes, curadorias temáticas, debates e atividades formativas. Conta ainda com a plataforma gratuita Ecofalante Play, que oferece a educadoras e educadores acesso a mais de 300 filmes, materiais de apoio e acompanhamento da equipe Ecofalante para a realização de exibições em instituições de ensino.  

A ação do Programa Ecofalante Educação na 15ª Mostra Ecofalante de Cinema se organiza em torno de três eixos: a Sessão Infantil, a Sessão FIFE e o programa “Narrativas do Clima: Caminhos para o Lixo Zero”. Essa programação ocupa 25 salas do Circuito Spcine localizadas em Centros Educacionais Unificados (CEUs) espalhadas pelas quatro regiões do município de São Paulo. 

O longa-metragem infantil “Sete Cores da Amazônia” tem como protagonista uma menina que vive nas inúmeras palafitas da periferia de Manaus. Acostumada com sua rotina de pobreza, ela vê seu mundo se expandir quando embarca em uma jornada de descoberta de suas raízes indígenas. A obra é uma realização do estado do Amazonas e tem direção de Ana Lígia Pimentel. 

Realizado há duas décadas em Évreux, na França, o FIFE – Festival International du Film d’Éducation é um dos principais eventos internacionais voltado a promover o diálogo entre duas áreas tão complementares e historicamente próximas que são o Cinema e a Educação. Pelo segundo ano consecutivo, a organização do festival francês preparou uma curadoria especialmente para o público da Mostra Ecofalante de Cinema, com cinco curtas-metragens: 

“Aqui” (França, 2017), de Aurélia Hollart, um garoto vindo da Guiné descobre os subúrbios de Paris e sua nova escola. Mas seu coração ficou para trás e ele não consegue mais falar. 

* Na animação “Kuap” (Suíça, 2018), de Nils Hediger, um pequeno girino não se transforma em sapo, não desenvolve patas dianteiras e traseiras, para seu grande desgosto. 

*  Eleito como melhor curta-metragem no Festival do Cinema Europeu, na Itália, “Matilda” (Itália, 2013), de Vito Palmieri, focaliza uma tímida criança com uma inteligência dinâmica e um espírito forte. Em sua sala de aula, no entanto, algo a está incomodando 

* Filme brasileiro consagrado com o prêmio do público no Festival de Clermont-Ferrand (França), a mais importante vitrine internacional dedicada ao curta-metragem, “Meu Amigo Nietzsche” (2012), de Fáuston da Silva, narra o encontro improvável que inicia uma violenta revolução na mente de um garoto, de uma família e de uma sociedade. 

“Meu Avô Estranho” (2011), de Dina Velikovskaya, é uma animação russa na qual uma garotinha que vive à beira-mar, na pobreza, com seu avô – um homem excêntrico e marginal. Em total segredo, este último constrói um robô a partir de materiais reciclados para sua neta, que não gosta da condição de vida deles. 

No programa “Narrativas do Clima: Caminhos para o Lixo Zero” estão reunidos seis curtas-metragens. Na aventura “A Incrível Aventura das Sonhadoras Crianças contra Lixeira Furada e Capitão Sujeira”, de Beatriz Ohana, crianças entram em ação contra o crescente lixo que assola o bairro em que vivem, enfrentando o atrapalhado Lixeira Furada e seu comparsa, Capitão Sujeira. Vencedor do prêmio de melhor direção da Mostra Maranhense no Festival Guarnicê de Cinema, “Cata”, de Lucas Sá, alerta para o fato de que 70% dos municípios brasileiros depositam seus resíduos sólidos em lixões. São cerca de 3 mil lixões no país e mais de um milhão de catadores de materiais recicláveis. A Política Nacional de Resíduos Sólidos prevê a obrigatoriedade do fim dos lixões. A animação russa “Meu Avô Estranho”, dirigida por Dina Velikovskaya, acompanha uma garotinha que vive à beira-mar, na pobreza, com seu avô – um homem excêntrico e marginal. Em total segredo, este último constrói um robô a partir de materiais reciclados para sua neta, que não gosta da condição de vida deles. Em “Os Pequenos Mundos, uma Aventura com Caixas”, a diretora Sandra Coelho conta a história de uma boneca que ganha vida e ajuda um pequeno caixa-cervo perdido em sua jornada para reencontrar seus pais. Nesta aventura, eles se deparam com diversas criaturas como a caixa-risonha, o caixa-pássaro, a caixa-balão, o planeta-caixa e o gigante-caixa. “Tsuru”, produção baiana dirigida por Pedro Anias, é uma animação que conta a história de um pedaço de papel adormecido que, após ser despertado pelo bater de asas de um Tsuru (origami de ave japonesa), inicia uma desafiadora jornada em busca de transformação. A obra foi selecionada para o Festival de Animação de Annecy (França), considerado o mais importante evento internacional em seu gênero. Na produção norueguesa “Um Sonho de Havaí”, de Thomas Smoor Isaksen, um nômade tenta sobreviver em um mundo coberto por resíduos plásticos, enquanto sonha com as praias brancas do Havaí. O curta foi vencedor dos prêmios de melhor animação no Festival de Florença (Itália), Festival de Cinema Escandinavo (Finlândia) e nos New York Movie Awards. 

A Mostra Ecofalante de Cinema é viabilizada por meio da Lei Rouanet e do ProAC – ICMS, Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas. Ela tem patrocínio do Itaú, White Martins e da Spcine e apoio da VEJA. A produção é da Doc & Outras Coisas e a coprodução é da Química Cultural. A realização é da Ecofalante, Governo do Estado de São Paulo e do Ministério da Cultura. 

“Esta iniciativa é realizada com recursos do ProAC, o Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas. 

Neste projeto, foram adotadas medidas de democratização de acesso, tais como:  
– A mostra acontece gratuitamente em sua totalidade. Os ingressos são distribuídos antes de cada sessão nas bilheterias das salas de exibição. 

– Parte dos ingressos podem ser disponibilizados para os patrocinadores distribuírem aos seus funcionários, parte aos parceiros de divulgação para distribuírem ao público do seu veículo e parte das sessões serão realizadas fora do circuito comercial de cinemas em São Paulo em parceria com o Circuito Spcine (que engloba 20 espaços culturais) e com as Fábricas de Cultura. 

– Os debates serão gratuitos. Os ingressos são distribuídos antes de cada sessão nas bilheterias das salas de exibição. 

– Os debates serão gravados e disponibilizados no canal do Youtube da Mostra Ecofalante que pode ser acessado através do link: https://www.youtube.com/mostraecofalante. 

O fortalecimento do acesso aos bens e serviços culturais, realizados com recursos públicos e por meio de políticas de incentivo, é um compromisso do Governo do Estado de São Paulo com o povo paulista.”