Em cerimônia realizada na noite deste domingo, 7 de junho, no Reserva Cultural, em São Paulo, foram anunciados os filmes vencedores da 15ª Mostra Ecofalante de Cinema.
“Arquivo Vivo”, do diretor Vincent Carelli, e “Mounir”, de Julian Borges, conquistaram o prêmio de melhor longa-metragem da seção Territórios e Memória, a principal competição do evento. O júri formado pela atriz e diretora Djin Sganzerla, pelo curador e cineasta Lorran Dias e por Tide Borges, professora e sound designer, concebeu menção honrosa para “A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai, que acumulou também o prêmio do público.
Na categoria curta-metragem da competição Territórios e Memória, analisada pelo mesmo corpo de jurados, o contemplado foi “A Pele do Ouro”, produção de Roraima dirigida por Marcela Ulhoa e Yare Perdomo. O alagoano “O Mapa em Que Estão Meus Pés”, de Luciano Pedro Jr., recebeu menção honrosa do júri. O prêmio do público teve como vencedor “Replikka”, uma coprodução entre Brasil, Estados Unidos e Reino Unido dirigida por Piratá Waurá e Heloisa Passos.
Já “Um Pé de Caju”, da dupla Pablo Monteiro e Cadu Marques, da Universidade Federal do Maranhão, venceu a premiação de melhor filme da competição Curta Ecofalante, exclusiva para obras de alunos de cursos audiovisuais. Uma menção honrosa foi destinada à “Av. São João, 588”, de Bruna Resende e Matheus Barbosa. O júri desta premiação foi formado pelo professor e cineasta Isaac Pipano, pela roteirista e diretora Larissa Barbosa e Luciana Resende, analista ambiental e integrante da equipe do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Pelo voto do público, o contemplado foi o paulista “Trago Seu Amor de Volta”, de Raíssa Anjos.
Sobre os premiados
Obra exibida em pré-estreia mundial, “Arquivo Vivo”, o mais recente longa-metragem dirigido por Vincent Carelli (de “Corumbiara”, “Martírio” e “Adeus, Capitão”), revisa a atuação junto a comunidades indígenas do projeto Vídeo nas Aldeias, do qual ele é um dos fundadores. O filme revela a devolução dos arquivos captados ao longo de 40 anos para as novas gerações das primeiras comunidades visitadas pelo projeto. Em seu parecer, os jurados destacaram tratar-se de “um filme que não trata as imagens como vestígios imóveis do passado, mas como presenças que retornam às comunidades, às línguas, aos rituais, às lutas e aos modos de vida dos povos originários”.
Com sua primeira exibição brasileira na 15ª Mostra Ecofalante de Cinema, “Mounir” é uma obra que acompanha a trajetória de dez anos de um refugiado centro-africano cujas narrativas embaralham as fronteiras entre realidade e ficção. As filmagens ocorrem em três continentes diferentes, incluindo momentos cruciais na cidade de São Paulo, onde o protagonista se estabelece e conhece a diretora do filme, Juliana Borges, e viagens à África. Segundo o júri do festival, o filme “transforma uma trajetória singular em uma experiência profundamente humana”. Com sensibilidade, delicadeza e riqueza de nuances, o filme nos convida a atravessar fronteiras geográficas, afetivas e culturais, revelando a complexidade de uma vida marcada pela coragem, pela memória e pelos deslocamentos”.
“A Fabulosa Máquina do Tempo”, que mereceu pré-estreia mundial no Festival de Berlim, retrata meninas no sertão do Piauí (Guaribas) equilibrando a vida difícil de suas mães com sonhos de futuro, focando na transição para a adolescência. Com tom lúdico e doce, o filme aborda questões sociais, de gênero e a pobreza, celebrando a infância através da imaginação. Segundo o parecer do júri da 15ª Mostra Ecofalante de Cinema, a obra “enfrenta o desafio de abordar questões duras, especialmente para as mulheres que vivem longe dos grandes centros urbanos, sem perder de vista a potência da imaginação e da esperança”.
Uma corajosa abordagem sobre a exploração sexual em garimpos da Amazônia, “A Pele do Ouro” teve sua premiação justificada pelos jurados do evento devido à sua “força estética e relevância política que emanam do universo filmado para pensar os territórios e memórias do Brasil”.
Filme que “se destacou por sua delicadeza formal, sua construção poética e sua capacidade de transformar paisagem em memória afetiva” na opinião dos jurados, “O Mapa em que Estão Meus Pés” revive a memória de um pescador e agricultor do litoral alagoano.
Por sua vez, “Replikka” retrata a reconstrução de uma gruta sagrada vandalizada em 2018, sendo inteiramente falado na língua indígena aruak e realizada com apoio de jovens da aldeia. O curta já havia sido premiado como melhor filme internacional no Hot Docs, o maior festival de documentários da América do Norte.
O maranhense “Um Pé de Caju” retrata a importância da educação em uma comunidade quilombola para a garantia da preservação de seus valores históricos. Para o júri da competição Curta Ecofalante, sua premiação se deve ao fato de “reflete sobre como aqueles que saíram para estudar e retornaram ao território transformam a educação em uma ferramenta de fortalecimento coletivo”.
Produzido por alunos do Senac de São Paulo, “Av. São João, 588” narra a luta das mulheres pelo direito a uma moradia digna. Os jurados concederam menção honrosa ao curta por evidenciar “a potência de suas vozes e de seus modos de organização coletiva, reafirmando a importância de garantir o direito à cidade”.
Já “Trago Seu Amor de Volta”, de alunos da ECA-USP, conquistou a plateia da 15ª Mostra Ecofalante de Cinema ao acompanhar uma personagem que encontra cartas de amor escritas por sua falecida mãe e parte em busca do destinatário desconhecido.
Sobre a 15ª Mostra Ecofalante de Cinema
Considerado o mais importante evento audiovisual da América do Sul focado em questões socioambientais, o festival teve início em 28 de maio a segue até 10 de junho na cidade de São Paulo, ocupando o Reserva Cultural, Centro Cultural São Paulo e mais 26 espaços culturais do Circuito Spcine, sempre com entrada gratuita. Seleções de filmes ficam disponibilizadas também em duas plataformas de streaming parceiras, ambas com acesso gratuito: Itaú Cultural Play e Spcine Play.
Em destaque na programação, uma homenagem à produtora paulista Zita Carvalhosa, falecida em 2025; uma retrospectiva histórica dedicada à trajetória do Seminário Flaherty, espaço privilegiado de reflexão sobre o cinema documentário e independente; e uma mostra contemporânea com os destaques do cinema socioambiental internacional. Uma série de debates discutiram mudanças climáticas, conflitos no oriente médio, colonialismo e povos originários, ativismo feminista, saúde mental e educação
A Mostra Ecofalante de Cinema é viabilizada por meio da Lei Rouanet e do ProAC – ICMS, Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas. Ela tem patrocínio do Itaú, White Martins e da Spcine e apoio da VEJA. A produção é da Doc & Outras Coisas e a coprodução é da Química Cultural. A realização é da Ecofalante, Governo do Estado de São Paulo e do Ministério da Cultura.
Serviço
15ª Mostra Ecofalante de Cinema
de 28 de maio a 10 de junho de 2026
Entrada gratuita















