6 de setembro de 2019

8ª Mostra Ecofalante de Cinema chega ao Rio de Janeiro

A itinerância terá filmes, debates e experiência em realidade virtual no CCBB-RJ

 

Entre os dias 11 e 23 de setembro, o Rio de Janeiro receberá pela segunda vez a itinerância da Mostra Ecofalante de Cinema, considerada como o mais importante evento audiovisual dedicado à temática socioambiental. Realizado em parceria com o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-RJ), o evento terá 59 filmes de 18 países, trazendo reflexões sobre temas urgentes ligados a questões socioambientais contemporâneas.

Farão parte da itinerância os filmes de diversos programas da Mostra Ecofalante: a Homenagem, o Panorama Internacional Contemporâneo, a Mostra Brasil Manifesto, a Competição Latino-Americana e o Concurso Curta Ecofalante. Além das sessões de cinema, a programação conta também com dois debates e uma experiência multissensorial em realidade virtual. Todas as atividades acontecerão no CCBB e serão gratuitas e abertas ao público.

Homenagem

Este ano, a Mostra Ecofalante homenageia o cineasta carioca Silvio Tendler, realizador dos documentários que alcançaram o maior recorde de bilheterias do Brasil. Serão exibidos seis obras do diretor, entre eles dois filmes que estrearam na edição mais recente da Mostra: “O Fio da Meada” e “Sonhos Interrompidos”.

Em “O Fio da Meada” (Brasil, 2019, 77’), acompanhamos a luta de povos tradicionais brasileiros contra a urbanização opressora, denunciando a violência no campo e nas comunidades tradicionais. No filme, caiçaras, quilombolas e indígenas lutam para sobreviver e para tentar impedir que suas reservas naturais sejam destruídas pelo processo de urbanização. “Sonhos Interrompidos” (Brasil, 2016, 86’) fala sobre o ambiente político brasileiro dos anos 60, quando uma série de pensadores seminais colocaram a fome, a partilha da terra, a educação e o desenvolvimento em discussão.

Já “Utopia e Barbárie” (Brasil, 2009, 120’) é um road movie que passa pela Itália, EUA, Brasil, Vietnã, Cuba, Uruguai, Chile, entre outros, documentando lugares e protagonistas da história, a fim de reconstruir uma narrativa do mundo a partir da Segunda Guerra Mundial. Mas tão importante quanto os temas retratados é o olhar do autor, que se constrói à medida em que o filme vai acontecendo, de maneira a dar voz a diferentes personagens, independentemente de suas orientações político-partidárias, com o objetivo de chegar a um rico painel de nossa época.

Também estarão nesta itinerância os filmes que compõem a “Trilogia da Terra” do diretor: “O Veneno Está na Mesa” (Brasil, 2011, 49′), “O Veneno Está na Mesa 2” (Brasil, 2014, 70′)  e “Agricultura Tamanho Família” (Brasil, 2014, 59′). A programação conta ainda com um debate em sua homenagem, que acontecerá no sábado (14/09) e terá presença do diretor e convidados.

Panorama Internacional Contemporâneo

O Panorama Internacional Contemporâneo traz filmes premiados em diversos festivais internacionais, representando todos os eixos temáticos que fizeram parte da 8ª Mostra Ecofalante: Cidades, Economia, Povos&Lugares, Recursos Naturais, Saúde, Sociobiodiversidade e Trabalho

A temática Saúde, uma das novidades da 8ª edição da Mostra, tem três obras nesta itinerância. “Frente Atômica” (EUA, 2017, 96’) trata de cidadãos de uma cidade norte-americana que lutam contra a negligência governamental e corporativa que levaram ao despejo permanente de resíduo nuclear em duas comunidades de St. Louis. A produção foi vencedora dos prêmios de melhor documentário no International Docs Awards e no Festival de Uranium, entre outros. Sua diretora, Rebecca Cammisa, já havia conquistado o Oscar de melhor documentário em 2012 por “God is The Bigger Elvis”. “Mulheres Contra a AIDS” (EUA, 2017, 67’), de Harriet Hirshorn, é o primeiro documentário sobre a história das mulheres na vanguarda do movimento global contra a AIDS. O filme revela como as mulheres não apenas formaram grupos de base como o ACT-UP nos EUA, mas como também exerceram funções essenciais na prevenção do HIV e no movimento de acesso ao tratamento em toda a África Subsaariana. Já em “Ebola: Sobreviventes” (Serra Leoa/EUA, 2018, 86’) o cineasta Arthur Pratt apresenta um retrato de Serra Leoa durante o surto de Ebola, expondo a complexidade da epidemia e da agitação sócio-política que a envolve.

Povos&Lugares, uma das temáticas favoritas do público do Panorama Internacional Contemporâneo, reúne  sete títulos, entre eles “Pra Cima, Pra Baixo e Pros Lados: Cantos de Trabalho” (Índia, 2017, 83’), selecionado pelo prestigiado Festival de Amsterdã, o IDFA. Dirigido por  Anushka Meenakshi e Iswar Srikumar, retrata uma aldeia no estado indiano de Nagaland, perto da fronteira com Myanmar, com cerca de 5.000 habitantes, quase todos cultivando arroz para consumo próprio. Nele, o ritmo e o movimento de capinar, arar, plantar e colher é acompanhado por músicas e letras que ecoam pelas colinas. Conforme a estação progride, o tom muda e a música fica cada vez mais hipnótica. Em “Ma’Ohi Nui” (Bélgica, 2018, 113’), de Annick Ghijzelings, surge uma outra face da colonização contemporânea na Polinésia francesa, nascida dos 30 anos de testes nucleares. Vemos o impulso vital do povo Maohi tentando sobreviver e  buscar o caminho da independência. A multi-premiada animação “Obon” (Alemanha, 2018, 15’), de André Hörmann e Anna Samo, focaliza uma sobrevivente ao bombardeio atômico de Hiroshima: no meio da destruição total, ela encontra um momento de felicidade. Em “A Ausência dos Damascos” (Paquistão/Alemanha, 2018, 49’), de Daniel Asadi Faezi, uma aldeia nas montanhas é atingida por um deslizamento de terra. O que resta são as pessoas e suas histórias, transmitidas de uma geração para outra. “O Botanista” (Canadá, 2017, 20’), de Maude Plante-Husaruk e Maxime Lacoste-Lebuis, se passa após a queda da União Soviética, quando o Tajiquistão mergulhou em uma devastadora guerra civil. Uma fome atingiu a região montanhosa do Pamir, onde Raïmberdi, um botânico apaixonado e engenhoso, construiu sua própria estação hidrelétrica para ajudar sua família a sobreviver à crise. Premiado no Festival de Zurique, na Suíça, “Bem-vindo a Sodoma” (Áustria/Gana, 2018, 92’), de Florian Weigensamer e Christian Krönes, retrata o maior lixão de lixo eletrônico do mundo: Agbogloshie, em Gana. Lá, crianças e adolescentes desmontam equipamentos, em meio a fumaça tóxica, em uma rotina venenosa.

Em Cidades, a programação conta com “Memórias do Oriente” (Finlândia, 2018, 86’), de Niklas Kullström e Martti Kaartinen, um road movie passado no Extremo Oriente da Mongólia e do Japão. O filme tem como foco o linguista e diplomata finlandês Gustaf John Ramstedt, considerado pai da moderna Mongolística, e questiona sobre como a linguagem pode conectar as pessoas sobre fronteiras culturais e como a economia de mercado conseguiu substituir os velhos modos do passado. Por sua vez, “A Cidade do Futuro” (EUA, 2017, 9’), de Chad Freidrichs nos mostra o projeto Minnesota Experimental City, uma tentativa futurista de resolver problemas urbanos criando uma cidade nova a partir do zero.

Representando o eixo Sociobiodiversidade, temos “A História do Porco (Em Nós)” (Bélgica, 2017, 120’), de Jan Vromman, que mostra nossa relação com esse animal que, por sua gula, se torna metáfora para a infinita ganância humana. O filme foi destaque em eventos internacionais como os festivais Vision du Réel e European Film Festival.

Em Recursos Naturais, destaca-se “Vulcão de Lama: A Luta Contra a Injustiça” (EUA, 2018, 80’), de Cynthia Wade e Sasha Friedlander, que conta a luta de moradores que tiveram suas vilas soterradas por um tsunami de lama em ebulição. Consagrada mundialmente, a diretora Cynthia Wade ganhou mais de 40 prêmios, com destaque para um Oscar em 2008, além de uma segunda indicação em 2013. Já a animação “Carga Alheia” (França, 2017, 6’) de Auguste Denis,  Emmanuelle Duplan, Valentin Machu e Malenaie Riesen, acompanha os dias vividos por um personagem que vive, trabalha, come e dorme em seu navio de carga. Um dia, ele fica sem comida e, para não morrer de fome, deve sair de sua rotina de conforto.

A temática Trabalho traz três títulos. O premiado “A Verdade Sobre Robôs Assassinos” (EUA, 2018, 83’), de Maxim Pozdorovkin, mostra como os humanos estão se tornando cada vez mais dependentes de robôs e traz os vários pontos de vista, de engenheiros a jornalistas e filósofos, que falam sobre diferentes situações em que os robôs causaram a morte de seres humanos e como eles representam uma ameaça para a sociedade. “Stratum” (Reino Unido, 2018, 12’), de Jacob Cartwright e Nick Jordan, explora a genealogia social, cultural e ecológica de uma região pós-industrial. Já “Sinfonia Industrial” (Polônia, 2018, 61’), de Jaśmina Wójcik, trabalha com sons e memória do corpo, fazendo com que os ex-operários de uma fábrica re-encenem um dia de trabalho. 

inalmente, no eixo Economia, teremos “Superalimentos” (Canadá, 2018, 66’), de Ann Shin, que revela o efeito cascata da indústria dos superalimentos, super-nutricionais, nas famílias de agricultores e pescadores mundo afora, explorando paisagens e povos da Bolívia, Etiópia e do arquipélago de Haida Gwaii, no Canadá.

Mostra Brasil Manifesto

Novidade desta edição, a Mostra Brasil Manifesto trouxe um conjunto de filmes que constroem um retrato denso e agudo do Brasil. Neste programa, teremos “O Amigo do Rei” (Brasil, 2019, 142’), híbrido de documentário e ficção que estreou na 8ª Mostra Ecofalante. O filme tem como tema a maior tragédia ambiental da História do Brasil: o rompimento da barragem da Samarco em Mariana-MG e suas consequências. O trabalho anterior do diretor André D’Elia, “Ser Tão Velho Cerrado”, foi o vencedor em 2018 do prêmio do público da Mostra Ecofalante.

Teremos também uma sessão com acessibilidade (que contará com interpretação em libras, audiodescrição e open caption) de “Idade da Água” (Brasil, 2018, 82’), mais novo filme do premiado cineasta Orlando Senna que é um alerta sobre a questão da falta de água e sobre a cobiça internacional pela Amazônia, o maior reservatório de água doce do planeta. Além de concentrar 20% da água potável do mundo, a Amazônia é a região com maior possibilidade de manter seus mananciais nas próximas décadas, graças à umidade de sua floresta.

Competição Latino-Americana

A Competição Latino Americana traz filmes do Brasil, Colômbia, México, Argentina e Venezuela, incluindo os vencedores dos prêmios de Público, Melhor Longa e Melhor Curta-Metragem, respectivamente: “GIG – Uberização do Trabalho” (Brasil, 2019, 60’), que aborda o trabalho mediado por aplicativos e plataformas digitais; “Está Tudo Bem” (Venezuela/Alemanha, 2018, 70’), que retrata a crise do sistema de saúde na Venezuela; e “Palenque” (Colômbia, 2017, 25’), uma ode à pequena cidade colombiana San Basilio del Palenque, o primeiro povoado das Américas a se libertar do domínio europeu.

Entre os nacionais, teremos “Empate” (Brasil, 2018, 90’), documentário de Sérgio de Carvalho que dá voz aos protagonistas do movimento seringueiro das décadas de 70 e 80 contra o desmatamento no estado do Acre, refletindo como este momento histórico ecoa ainda hoje na Amazônia e no resto do mundo. Já “Filhos de Macunaíma” (Brasil, 2019, 90’), de Miguel Antunes Ramos, conta a história de três famílias indígenas que vivem na cidade de Boa Vista, no norte do Brasil.

Destacam-se ainda “Um Filósofo na Arena” (México/Espanha, 2018, 100’), sobre o filósofo francês Francis Wolff, grande fã de touradas, que decide fazer uma viagem pela França, México e Espanha acompanhado por dois cineastas mexicanos que nada sabem sobre esse mundo; “O Espanto” (Argentina, 2017, 67’), que conta a história de um povoado onde os remédios caseiros substituem a medicina tradicional; e “O Quadrado Perfeito” (Argentina, 2018, 61’), um documentário sobre o mundo da criação de cães de raça pura,

Concurso Curta Ecofalante

Também farão parte desta itinerância os filmes selecionados para o Concurso Curta Ecofalante, programa que incentiva produções feitas por alunos de graduação, ensino médio, cursos técnicos e cursos livres de cinema. 

São 13 títulos no total, com trabalhos produzidos em Alagoas, Minas Gerais, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, São Paulo e Santa Catarina.

Debates

Na sexta-feira (13/09), às 19h30, teremos o debate “A Uberização do Trabalho” com Rodrigo Carelli, professor de direito do trabalho na Faculdade Nacional de Direito – UFRJ e procurador do Ministério Público do Trabalho. O filme que pautará o debate, “GIG – A Uberização do Trabalho”, será exibido às 18h.

No sábado (14/09), às 19h, será realizado um debate em homenagem a Silvio Tendler, que contará com a presença do cineasta e de outros convidados. No mesmo dia, serão exibidos dois de seus filmes: “Utopia e Barbárie”, às 15h, e “O Fio da Meada”, às 17h30. 

Experiência multissensorial

Nesta edição, teremos também o filme “Tree” (EUA, 2017, 8′), uma premiada experiência de realidade virtual imersiva que permite que o público sinta o devastador efeito do desmatamento em primeira mão. “Tree” coloca o espectador em um ambiente de floresta tropical cientificamente preciso e usa elementos multissensoriais para dar a sensação de estar lá. Com os braços como galhos e o corpo como o tronco, é possível ouvir, cheirar e sentir a floresta enquanto cresce. A atividade estará disponível no CCBB entre os dias 18 e 22 de setembro, das 15h às 20h.

A itinerância da 8ª Mostra Ecofalante no Rio de Janeiro é uma realização da Ecofalante e do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-RJ) e tem apoio do Mercado Livre, da White Martins, da Kimberly Clark e da Intel.

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