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São Paulo

A Amazônia no Imaginário do Cinema Brasileiro

Panorama Histórico • A Amazônia no imaginário cinematográfico brasileiro Historical Panorama • The Amazon in the brazilian cinematographic imaginary

Ecofalante Debate: A Amazônia no Imaginário do Cinema Brasileiro

Nesta edição, nosso Panorama Histórico traz 6 filmes ficcionais brasileiros realizados entre as décadas de 70 e 90 - em um contexto de ditadura militar e de redemocratização - que tematizam a Amazônia e seus históricos conflitos. Como comenta o crítico José Geraldo Couto, "muito antes de expressões como “agronegócio” e “bancada ruralista” tornarem-se de uso corrente, temas como o desmatamento e o extermínio ou a aculturação indígena já inquietavam realizadores".

Como era fazer cinema no Brasil e, mais especificamente, na Amazônia, nesse período? Por que falar sobre ela naquele momento e hoje? Chamamos para uma conversa com o público, para compartilharem suas experiências e reflexões, alguns dos cineastas mais importantes do cinema brasileiro, diretores de filmes presentes no Panorama Histórico.

O debate "A Amazônia no Imaginário do Cinema Brasileiro", com mediação do curador do festival, Francisco César Filho, acontece no Cine Caixa Belas Artes no dia 1, quinta, às 19h20. Ele será precedido pelo filme "Avaeté - Semente de Vingança", às 17h10, e sucedido pelo filme "A Lenda de Ubirajara", às 21h10 - ambos do Panorama Histórico. 

Para a discussão, além do público presente, contaremos com os seguintes convidados:


André Luiz Oliveira

Cineasta, diretor do filme "A Lenda de Ubirajara", presente no Panorama Histórico.

André Luiz Oliveira nasceu em Salvador, em 1948, e estudou cinema na Universidade Federal da Bahia, na década de 60. Diretor de um dos marcos do cinema marginal brasileiro, Meteorango Kid - O herói intergalático (1969), prêmio de público no Festival de Brasília e Margarida de Prata da CNBB. Em 1975, experimentou caminhos aparentemente mais clássicos em A lenda do Ubirajara, adaptação da obra de José de Alencar. Dirigiu, em 1995, Louco por Cinema (seis prêmios em Brasília, entre eles, o de melhor filme e melhor diretor), obra na qual narra parte de sua própria experiência em um manicômio judiciário, onde foi internado nos tempos da ditadura militar.


Hermano Penna

Cineasta, diretor do filme "Fronteira das Almas", presente no Panorama Histórico.

Hermano Penna é cearense, nascido em 1945, passou a juventude na Bahia, em meados dos anos 60 mudou-se para Brasília e, em seguida, para São Paulo, onde começou a trabalhar como assistente de direção em O Profeta da Fome (1969), de Maurice Capovilla, e como assistente de câmera, em Gamal, o Delírio do Sexo (1970), de João Batista de Andrade. Entre a metade dos anos 70 e o início dos 80, dirigiu documentários para o programa de televisão Globo Repórter, como A Mulher no Cangaço (1976) e África, Mundo Novo (1977). Com seu primeiro longa-metragem, Sargento Getúlio (1983), foi premiado como melhor diretor no Festival de Locarno, Suiça, e melhor filme em Gramado. Penna também é roteirista e, entre outros, fez o roteiro de Iracema, uma Transa Amazônica (1976), de Jorge Bodanzky e Orlando Senna.


Jorge Bodanzky

Cineasta, diretor do filme "Iracema - uma Transa Amazônica", exibido na 1ª e 4ª edição da Mostra Ecofalante.

Jorge Bodanzky é cineasta, roteirista e fotógrafo, estudou arquitetura na UnB e cinema na Alemanha nos anos 1960. Seu primeiro longa metragem é o clássico Iracema - uma Transa Amazônica (1976), realizado em codireção com Orlando Senna. O filme venceu o Festival de Brasília quando foi lançado no Brasil, após anos de censura dos militares, em 1980. Recentemente eleito pela Abraccine um dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos. Desde então realiza filmes que lidam com questões socioambientais. Entre eles Terceiro Milênio (1981), realizado em parceria com Wolf Gauer, que acompanha o senador amazonense Evandro Carreira, e A Propósito de Tristes Trópicos (1990), uma produção francesa que refaz a viagem de Lévi-Strauss no Mato Grosso. Foi professor de cinema em universidades como ECA-USP, Unicamp e FAAP e teve seu acervo fotográfico adquirido pelo Instituto Moreira Salles.

Jorge Bodanzky também é Jurí de nossa Competição Latino-Americana deste ano.


Lauro Escorel

Diretor de fotografia de "Bye Bye Brasil" e "Brincando nos Campos do Senhor", ambos presentes no Panorama Histórico.

Lauro Escorel é um dos mais conceituados diretores de fotografia brasileiros. Como cineasta, dirigiu o longa-metragem Sonho Sem Fim (1985), prêmio especial do júri no Festival de Gramado, além de curtas e documentários como Os Libertários (1976), prêmio Margarida de Prata da CNBB. Estreou como diretor de fotografia em São Bernardo (1971), de Leon Hirzsman, que recebeu o prêmio de melhor fotografia em Gramado. Seu trabalho em Ironweed (1987), e "Brincando nos Campos do Senhor" (1991), ambos Hector Babenco, e com parte da produção feita nos EUA, lhe abriu as portas para o mercado norte-americano. No exterior, assinou a direção de fotografia de Indecency (1992), de Marisa Silver, Dangerous Heart (1993), de Michael Scott, e Amelia Earhart: The Final Flight (1994), de Yves Simoneau, entre outros. Em 1998, retomou a parceria com Babenco na direção de fotografia de Coração Iluminado, que representou o Brasil no Festival de Cannes. É membro da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood (AMPAS) e um dos fundadores da Associação Brasileira de Cinematografia (ABC).


Zelito Viana

Cineasta, diretor do filme "Avaeté - Semente da Vingança", presente no Panorama Histórico.

Zelito Viana é produtor e cineasta. Foi levado para o cinema por Leon Hirszman, com quem se formou, em 1964, pela Escola Nacional de Engenhariaque. Em 1965, fundou com Glauber Rocha a Mapa Filmes, empresa que realizou, entre outros, Terra em Transe (1966). Entre suas produções, além dos filmes de Glauber, destacam-se Quando o Carnaval Chegar (1972), de Cacá Diegues; e o documentário Cabra Marcado para Morrer (1984), de Eduardo Coutinho. Também foi produtor e diretor dos filmes: Os Condenados (1973), Morte e Vida Severina (1976), Terra dos Índios (1978) e Avaeté - Semente da Vingança (1985), Medalha de Prata do Festival de Cinema de Moscou.